Doença Hemorroidária: todos os tratamentos disponíveis
A doença hemorroidária é uma das condições mais comuns da humanidade — estima-se que mais da metade das pessoas terá algum episódio ao longo da vida. Apesar de tão frequente, ainda é cercada de mitos e, principalmente, de vergonha. Muita gente sofre em silêncio por não saber que existem tratamentos modernos, eficazes e muito menos desconfortáveis do que se imagina.
O que são hemorroidas?
Todas as pessoas possuem hemorroidas — são "almofadas" de vasos sanguíneos localizadas no canal anal que auxiliam na continência. O problema ocorre quando essas estruturas se dilatam, inflamam ou se deslocam para fora, causando sintomas como sangramento, prolapso (saída pelo ânus), dor, coceira e secreção.
Classificação
O tratamento depende diretamente do grau da doença:
- Grau I: Hemorroidas internas que apenas sangram, sem saírem pelo ânus
- Grau II: Saem durante a evacuação, mas retornam sozinhas
- Grau III: Saem durante a evacuação e precisam ser empurradas de volta manualmente
- Grau IV: Ficam permanentemente exteriorizadas, não voltam para dentro
Tratamento clínico (medicamentoso)
Para quem: Graus I e II com sintomas leves. Também é o primeiro passo em praticamente todos os graus.
- Dieta rica em fibras (25-30g/dia) e ingestão adequada de água — fundamental para manter as fezes macias e evitar esforço
- Regularização do hábito intestinal — evitar constipação e diarreia
- Medicamentos tópicos (pomadas e supositórios) — aliviam sintomas como dor, coceira e inflamação, mas não curam a doença
- Venotônicos orais — medicamentos que melhoram o tônus venoso e reduzem o sangramento
- Banhos de assento mornos — alívio sintomático
Ligadura elástica
Para quem: Graus I, II e alguns casos de grau III.
É o principal tratamento ambulatorial para hemorroidas internas. Consiste na aplicação de um anel de borracha na base da hemorroida, interrompendo a circulação sanguínea e provocando sua eliminação natural em dias. É realizado no consultório, sem anestesia e sem internação, com duração de poucos minutos.
Resolve o problema em até 80% dos casos e pode ser repetido se necessário. Saiba mais sobre ligadura elástica →
Escleroterapia
Para quem: Graus I e II, especialmente com sangramento.
Consiste na injeção de uma substância esclerosante na hemorroida, causando fibrose e redução do sangramento. É menos utilizada que a ligadura elástica, mas pode ser uma opção em casos selecionados.
Tratamento cirúrgico
Para quem: Graus III e IV, ou quando tratamentos anteriores não resolveram.
Hemorroidectomia convencional
É a cirurgia tradicional, que consiste na remoção dos mamilos hemorroidários. Tem excelentes resultados a longo prazo (taxa de recorrência inferior a 5%) e é o tratamento de escolha para casos avançados. A recuperação dura em média 2-3 semanas, e o desconforto pós-operatório melhorou muito com as técnicas atuais e os protocolos de analgesia.
Hemorroidopexia (técnica PPH)
Utiliza um grampeador circular para reposicionar as hemorroidas e reduzir o fluxo sanguíneo para elas. Tem recuperação geralmente mais rápida que a hemorroidectomia convencional, mas pode ter taxas de recorrência um pouco maiores.
THD (Desarterialização Hemorroidária Transanal)
Técnica que utiliza um doppler para identificar e ligar as artérias que alimentam as hemorroidas, podendo ser combinada com mucopexia (reposicionamento do tecido). É considerada minimamente invasiva e tem boa recuperação.
Qual tratamento é o melhor?
Não existe um "melhor tratamento" universal — existe o melhor tratamento para cada caso. A escolha depende do grau da doença, dos sintomas, das condições clínicas do paciente e das suas expectativas.
Resumo por grau
- Grau I: Tratamento clínico + ligadura elástica se necessário
- Grau II: Ligadura elástica (primeira escolha) + tratamento clínico
- Grau III: Ligadura elástica ou cirurgia, conforme avaliação
- Grau IV: Tratamento cirúrgico (hemorroidectomia, PPH ou THD)
O mais importante é buscar avaliação com um especialista. O coloproctologista é o médico mais capacitado para avaliar o grau da sua doença e indicar o tratamento mais adequado, sempre priorizando o menor desconforto possível e o melhor resultado a longo prazo.
Dr. Igor Reggiani
Coloproctologista | Cirurgião Colorretal | Colonoscopista
CRM-MG 76603 • RQE 68040 • RQE 68974
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